"Poesia Aos Campos"

15:10 Felipe Betim 0 Comentários


Sob o bálsamo de rosas esculpi minha nova vida. Dizia o escapulário em meu pulso com todas as letras que seria um recomeço guiado por forças que eu não via.

Geava o vento para o norte; direção que vi o pôr-do-sol naquele fim de tarde que tanto me marcara.

Bailavam sob os meus olhos as pétalas das flores que ao mesmo tempo soltavam tão doce perfume.

Soava em meus ouvidos o doce barulho das crianças brincando lá no alto da colina; onde podia-se ver a velha casinha de um aldeão que já não sorria nem chorava, pois a vida tinha-lhe tirado tudo o que nunca quis ter.

Em uníssono escutava o som da morte, passando sobre todas as cabeças aqui presentes, mas também ouvia o coro da vida, que era tão alto quanto.

Sentia a alma das flores que estavam ao meu redor e divagava sobre quão perfeito é o ser que está acima do mundo, simplesmente por colocar uma alminha em um ser tão pequeno assim.

Chorava ao imaginar com os olhos fechados tudo aquilo que havia por trás do palco da vida, e esboçava-se paulatinamente uma peça inteira em minha mente; uma peça onde eu não era o protagonista, mas aquele que dirigia as falas e as ações dos personagens.

O protagonista, claro, era o Todo, pois a idéia da peça era Dele. Mas eu sabia que eu só a dirigia, pois a peça era minha vida, e todas minhas falas e ações vinham de algo que eu não sabia explicar, mas que estava em mim, como se houvessem sido impressas em meu ser.

Sob as mesmas rosas eu terminava de criar meu passado e ao mesmo tempo nascia meu presente; e por mais que meu futuro fosse ainda uma incógnita para mim, amanhã eu estaria novamente no mesmo campo para escrever uma nova fala...

P.s.: Recebi mediunicamente este texto num palco de teatro, sentindo a presença de seres do drama e da graça que sempre tornam suas idéias em amor.

Paz profunda.

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